Cientistas chineses criam embriões humanos Vida Sim

Pela primeira vez na História um grupo de cientistas chineses anunciou ter conseguido modificar genes de embriões humanos. O experimento, que é indiscutivelmente um marco na genética, já havia sido testado outras diversas vezes, mas pela primeira vez, o sucesso no experimento foi obtido.

Por outro lado, a questão implica inúmeras controvérsias e polêmicas, especialmente em relação a questões de âmbito fundamentalista. A modificação genética traz a tona as discussões sobre ética e os limites da medicina. De acordo com o conhecimento atual, mesmo que essas modificações tenham o objetivo de curar determinados tipos de doenças e anomalias, também pode causar consequências imprevisíveis para as gerações futuras.

A equipe de pesquisadores liderados pelo Dr. Junjiu Huan utilizou uma técnica de edição genética conhecida como CRISPR/cas9 – que consiste em um procedimento de “recorta e cola” na qual os genes problemáticos são substituídos por outros totalmente funcionais. De acordo com um relatório divulgado, os cientistas isolaram e removeram o gene HBB, responsável por uma doença sanguínea conhecida como talassemia beta.

Os riscos da modificação genética

Assim como em toda mudança ou descoberta, a modificação genética humana não escapa de apresentar riscos – e não são poucos! Por muito tempo pesquisas nessa área têm sido restritas – ou pelo menos os anúncios em relação aos trabalhos na área. Com o fim da Guerra Fria e descoberta de documentos da época, foram revelados trabalhos no campo genético tanto do lado norte-americano quanto do lado soviético.

O assunto ainda conta forte rejeição rejeição religiosa, onde é argumentado que o homem não deve agir como um deus, realizando trabalhos nesse campo. Há também muita força em relação ao âmbito da ética, que se questiona os limites frente às possibilidades da área. Isso sem falar na questão das patentes genéticas humanas e em todo o risco envolvendo a saúde e resultados da prática, que são desconhecidos.

Há também a discussão em torno da eugenia – ou “melhoria” genética de seres humanos. Nesse ponto, devemos nos lembrar que esse argumento foi um dos pilares do regime nazista e sua prática foi responsável pela exclusão social de diversos grupos minoritários, considerados “inferiores” pelo regime na época.


Em relação a esses pontos, a Universidade de Sun Ta-sen se defendeu dizendo que os testes realizados se tratam apenas de uma fase inicial. De acordo com a instituição, foram usados 86 embriões inicialmente, apenas 71 sobreviveram a aplicação de enzima, e só 17 sobreviveram a adição de um novo filamento de DNA.

Segundo Edward Lanphier, chefe da Aliança pela Medicina Regenerativa, protesta “estamos falando de seres humanos e não de ratos transgênicos” – existe uma questão ética quando se fala em modificação de genes humanos e essa pesquisa chinesa já ultrapassou os limites que toda a comunidade médica considera aceitável.

As revistas Nature e Science, duas das maiores prestigiadas publicações científicas do mundo não quiseram publicar o artigo sobre o experimento, devido às questões éticas envolvidas nesse tipo de trabalho.


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