Quando a emoção controla nossa alimentação Vida Sim

Muitas pessoas quando atormentadas por sentimentos como angústia, tristeza, infelicidade ou até mesmo a ansiedade perante alguma situação, utilizam a comida – em especial as calóricas, como válvula de escape.

Dessa forma, a alimentação passa a atuar como um mecanismo capaz de trazer sentimentos de felicidade, bem-estar ou um certo estado de alegria. Ou seja, o ato de se alimentar passa a ser orientado por questões emocionais em busca de uma maior tranquilidade, deixando em segundo plano a sua principal função, a nutrição do nosso organismo.

Diversos estudos referentes a essa ideia têm surgido e trazido interessantes questões. Alguns atrelam a prática de comer compulsivamente determinadas comidas ao apego e memórias da infância enquanto outros refutam essa ideia. Entretanto, os dois lados defendem veementemente e exaltam que o ideal é que a alimentação deva ser orientada de maneira consciente, uma vez que o ato de comer está diretamente ligado às questões de saúde.

O primeiro estudo recortado foi realizado por pesquisadores de Universidades do Sul em Buffalo, nos Estados Unidos, e contou com voluntários que se submeteram a dois tipos de experimentos. O primeiro deles consistia em responder se existia maior facilidade ou dificuldade em formar laços emocionais intensos com outras pessoas. Logo em seguida, cada participante narrava um acontecimento conflituoso ocorrido em sua vida. Ao longo do processo, pacotes de salgadinhos eram oferecidos sem deixar claro que era parte do experimento.

Os resultados mostraram que aqueles com maior facilidade de se apegarem – característica geralmente construída ainda na infância, relataram o lanche oferecido como sendo mais saboroso quando comparados àqueles participantes mais inseguros (1).

O segundo estudo consistiu em registrar em uma espécie de diário contendo quais comidas e em quais quantidades foram ingeridas em momentos em que os participantes se sentiram de certo modo solitários.

Assim como no primeiro estudo aqui citado, em momentos de solidão, pessoas com laços emocionais mais intensos possuíam uma maior disposição para reconfortar-se em comida consideradas “comfort food”, ou seja, aquelas comidas que nos remetem a bons sentimentos vividos na infância. Nesse caso, esses indivíduos buscaram conforto através dos alimentos, os quais proporcionaram uma alegria momentânea e aliviaram qualquer tipo de sentimentos desagradáveis (2).

Em controvérsia a estes estudos, uma outra pesquisa utilizou cenas de filmes para tentar deixar os participantes de mau humor. Logo em seguida, o prato favorito, uma comida neutra ou nada foram oferecidos a cada um. E em todas as experiências o resultado obtido foi o mesmo, o humor não se alterou diante aos alimentos.

Desse modo, constataram que a idealização da chamada “comfort food” é apenas uma justificativa para ingerir aquelas comidas que cada um considera como sendo sua preferida. O estudo foi publicado no Jornal Health Psychology (3).

Como existe ainda muita discussão sobre o tema, ainda não há uma conclusão de ampla aceitação. Entretanto muitos defendem uma alternativa mais neutra, a chamada “mindful eating”, ou seja, o ato de comer de maneira consciente. Procura-se assim afastar a ideia do ato de alimentar-se de forma irracional, exagerada e aproxima-se o conceito de comer com intenção de cuidar de si mesmo e com atenção para apreciar o que você ingere e os possíveis efeitos no seu corpo.

A inspiração parte de um conceito budista, o qual exalta a necessidade de estar presente no agora para lidar com o estresse, sem viver a ansiedade do futuro ou a depressão do passado.

Comer conscientemente vai muito além de comer devagar e sem distrações. Engloba todo um processo onde o objetivo primordial é saber diferenciar a fome física da emocional, para assim, não exageramos e assim conseguirmos manter o nosso corpo e mentes saudáveis.


Referências:

(1)-Jordan D. Troisi, Shira Gabriel, Jaye L. Derrick, Alyssa Geisler. Threatened belonging and preference for comfort food among the securely attached. Appetite, 2015; Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25728881
(2)-http://www.theatlantic.com/health/archive/2015/04/why-comfort-food-comforts/389613/
(3)-Redden JP, Vickers Z, Wagner H. The Myth of Comfort Food. Link: http://psycnet.apa.org/index.cfm?fa=buy.optionToBuy&id=2014-34446-001


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