Os perigos do sabonete bactericida Vida Sim

O sabonete antibacteriano (ou bactericida) é aquele que segundo sua embalagem elimina com efetividade todos os germes e bactérias. Por esse motivo, a maioria das pessoas, na hora das compras, opta por esse produto ao invés de um comum.

Segundo estudo publicado pela Sociedade Americana de Química, foi constatado que substâncias como o triclosan e o triclocarban, os quais são encontrados em diversos produtos como sabonetes, pastas de dente, sabão para larvar roupa, perfumes, desodorantes, entre outros.

O triclosan é um efetivo agente antisséptico, capaz de inibir o crescimento de bactérias e fungos quando utilizado em pequenas quantidades. Mas se os níveis desse produto químico são altos, ele provoca também a morte de outros organismos que encontra. Entrando em contato com a pele, elimina todas as bactérias, sejam elas prejudiciais ou benéficas ao nosso organismo.

Esse é um dos grandes problemas, afinal diversas dessas bactérias são necessárias para o bom funcionamento do nosso corpo. Quando isso ocorre, há interferência direta no método de distinção realizado pelo nosso sistema diante as bactérias nocivas e não nocivas. Desse modo, o corpo utiliza todo o seu esforço para combater qualquer micro-organismo que entre em contato com a pele. Com o tempo, o uso contínuo e indiscriminado desse tipo de produto faz com que as bactérias tornem-se resistentes às substâncias (1).

Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia em Davis apontou uma relação existente entre o enfraquecimento do músculo do coração e dos músculos esqueléticos em função da exposição do triclosan. No experimento realizado, os peixes expostos a esse composto foram incapazes de nadar de maneira correta. Além disso, 25% das contrações dos músculos dos ratos submetidos à pesquisa diminuíram (2) e (3).

Alguns estudos ainda expõem os efeitos que o uso do triclosan pode oferecer à natureza. Ele pertence ao grupo dos fenóis e éteres, sendo o segundo grupo tóxico para a vida dos organismos aquáticos em longo prazo, podendo assim afetar seu desenvolvimento. Além disso, segundo os estudos, existe a possibilidade de bioacumulação em espécies aquáticas.

Dessa maneira, não apenas o consumidor, mas também a fauna e a flora são afetados.


Regulamentação no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é a responsável pela regulamentação desse componente. Segundo o órgão, a concentração máxima autorizada corresponde a 0,3% em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Porém, nenhuma recomendação de limitação ou de condições de uso e advertência é explicitada.


Regulamentação norte-americana

Já nos Estados Unidos, duas agências controlam o uso do triclosan, a Food and Drug Administration (FDA), a qual administra sua utilização em produtos de uso pessoal, e a Environmental Protection Agency (EPA), onde sua utilização é regulamentada como pesticida.

O uso desse composto químico vem sendo reconsiderado por diversas empresas e estados nos EUA. Minnesota foi o primeiro estado norte-americano a criar uma lei que proíbe o uso do triclosan em determinados produtos, que entrará em vigor no ano de 2017. (4)


A escassez de informações referentes aos possíveis riscos provenientes do uso em larga escala desse componente contribui para a sua larga utilização, sem necessidade. Segundo os médicos, para a eliminação do excesso de germes, um sabonete com PH neutro é o ideal.

O uso dos sabonetes antibacterianos deve ter seu uso restrito apenas em casos de necessidade, como em infecções ou lesões de pele.

Alternativas

Hoje, o mercado disponibiliza produtos livres desse composto em sua formulação, substituindo-o por antimicrobianos naturais, como óleos essenciais de alecrim, alecrim do campo, pitanga, cravo da índia, camomila e canela. Outra alternativa, é utilizar produtos a base de álcool, como os géis antissépticos, bicarbonato de sódio para higienização e limpeza, e produtos com pedra hume, que atua como cicatrizante.


Referências:

(1)- http://www.fda.gov/ohrms/dockets/dockets/75n0183h/75n-0183h-sup0013-08-Attachment-01-vol202.pdf
(2)-http://news.ucdavis.edu/search/news_detail. lasso?id=10301%20
(3)-http://www.pnas.org/content/109/35/14158.full.pdf+html
(4)-http://edition.cnn.com/2014/05/21/health/triclosan-ban-antibacterial/


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