O Facebook e sua relação com o desenvolvimento da depressão Vida Sim

É muito difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar sobre o Facebook. Essa rede social foi lançada no ano de 2004 e desde lá vem crescendo e ganhando novos adeptos diariamente. Atualmente estima-se que existam mais de 2.5 bilhões de pessoas na rede.

Basicamente falando, a ferramenta consiste na criação de um perfil, por meio do qual, o usuário pode adicionar fotos, exibir seus interesses pessoais, trocar mensagens com os amigos, compartilhar coisas que acha interessante, entre diversas outras funções. Constantemente novas histórias vão surgindo no “Feed de Notícias” no decorrer do dia, justamente nesse momento que passamos a ter contato – mesmo que de maneira virtual, com a vida, os gostos, os ideais, as viagens e os acontecimentos das demais pessoas. Mas você sabia que o Facebook pode influenciar também quando o assunto é a depressão?

Sem dúvida alguma, a promoção de encontros entre pessoas com interesses em comum ou que estejam passando por situações próximas em relação à doença pode ser de grande ajuda em determinados casos, mas um estudo recente demonstra o poder da ferramenta em relação ao oposto, ou seja, ao agravamento de sintomas da depressão é inúmeras vezes maior.

Mai-Ly Nguyen Steers, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Houston (EUA), buscou encontrar a forma como os sintomas depressivos podem interagir com uso da rede social. Diante disso, foram realizados dois estudos. O primeiro apresentou a existência de uma correlação entre a doença e o uso do Facebook, apenas em indivíduos do sexo masculino. Já o segundo, indicou que esse fenômeno pode ocorrer em ambos os gêneros.

Segundo a professora, isso ocorre em virtude do ato de comparar-se com o próximo, que acaba sendo estimulado pelo uso das redes sociais e tende a se tornar uma obsessão. Você pode estar bem, ou passando por alguma dificuldade na vida, então você entra em sua conta e visualiza seus amigos ou conhecidos em situações prazerosas e felizes, seja por realizações referentes à família, relacionamento ou posses.

Geralmente, as pessoas costumam postar apenas coisas boas, deixando de lado as ruins. Assim, isso cria uma atmosfera ilusória em relação à vida das pessoas, levando outras a se questionarem, principalmente sobre o porquê se suas vidas não serem iguais a de determinadas pessoas. Desse modo, o indivíduo tende a ficar com a auto-estima diminuída, passando a sentir-se mais deprimido. Esse é um dos maiores fatores que acabam por contribuir para o desenvolvimento do quadro depressivo, trazendo à tona sentimentos relacionados à tristeza e ao pessimismo.

Mas não pode generalizar. O Facebook não pode ser considerado como único e exclusivo causador da doença. A depressão em si é configurada como uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente. Onde uma mistura de sentimentos associados à tristeza, amargura, desencanto, desesperança, culpa, entre outros, passam a fazer parte do cotidiano de suas vítimas.

Coisas prazerosas perdem todo o prazer e a auto-estima diminui drasticamente. Não existe apenas uma causa específica, mas sabe-se que fatores genéticos, disfunções bioquímicas cerebrais em conjunto com fatores psicológicos e sociais, tendem a contribuir para o desenvolvimento do quadro depressivo. A pesquisa tem o intuito de expor o fato de que a união de pensamentos negativos e deprimidos com o ato de comparar-se aos outros – especialmente em relação ao que se mostra em redes sociais, podem sim, interferir no desenvolvimento da depressão.


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