Gordura trans é banida definitivamente nos EUA Vida Sim

Desde o ano de 2013 foi aberta uma consulta pública pela FDA (agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA), com o intuito de eliminar a gordura trans dos alimentos. Neste mês de junho ela finalmente foi banida em todo o território norte-americano, com o prazo de três anos para que as indústrias se adequem à nova medida. A deliberação impõe que a substância seja retirada de alimentos industrializados como por exemplo, pizzas, sorvetes, margarinas, e biscoitos.

O processo teve início após resultados obtidos através da consulta e da pesquisa em relação aos efeitos que os óleos parcialmente hidrogenados acarretam no organismo, sendo considerados inseguros para a saúde. Consequentemente, tal providência deve reduzir os índices de incidência de determinadas doenças cardíacas, assim como redução nos índices de ocorrência de ataques cardíacos.

A gordura trans surgiu como opção substituta a gordura saturada nos anos de 1950, porém a consistência líquida obtida dos óleos vegetais não era a ideal. Assim, foram implantados os processos de hidrogenação do óleo, tornando-os sólidos e transformando-os em gordura trans. Naquela época acreditava-se ser uma alternativa saudável, mas hoje, após décadas de uso, há evidências suficientes em relação a seus efeitos que provaram o contrário.

O efeito da gordura trans é prejudicial à saúde, uma vez que reduz os níveis de colesterol bom, o chamado HDL (High Density Lipoprotein), responsável por remover o excesso de colesterol dos vasos. Aumentam os níveis de colesterol ruim (LDL), que contribui para o entupimento dos vasos sanguíneos. Além de aumentar os níveis de marcadores de inflamação, como a proteína C-reativa, alto fator de risco para o surgimento de doenças no sistema cardiovascular.

Atualmente, esse tipo de gordura é facilmente encontrado em alimentos industrializados como sorvetes, que apresentam cerca de 1,7g de gordura trans em apenas 60g, bolachas cream cracker, com 1,5g de gordura em uma porção de 30g, bolacha maisena com 1,1g de gordura, bolacha recheada com 0,3g e chocolates com recheio de caramelo com 0,7g de gordura em uma porção de 16g.

O primeiro país a estabelecer limites para a quantidade de gordura trans (2% do total de gorduras) permitida nos alimentos foi a Dinamarca. Mais tarde, Áustria, Hungria, Islândia, Noruega e Suíça estabeleceram limites análogos. Atualmente, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 6 países europeus este tipo de gordura é praticamente banida.

No Brasil sua utilização não é proibida, entretanto desde 2003 é obrigatório que os rótulos dos produtos indiquem as quantidades de gorduras presentes. Com o passar dos anos, medidas que visavam à diminuição dos teores de sódio e gordura trans foram estabelecidas. Em 2007 ela foi limitada a 5% do total de gorduras em alimentos industrializados e a 2% do total de gorduras em óleos e margarinas. Os acordos vieram por parte do Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), que juntos vêm diminuindo os teores de sua presença nos produtos industrializados.

De acordo com um estudo realizado pela Associação Abia juntamente com governo federal, cerca de 95% das empresas ligadas à entidade alcançaram o objetivo. Mas o problema não está totalmente resolvido. A substituição da gordura trans por óleo de coco ou de palma também chama a atenção dos cientistas, uma vez que podem contribuir para o aumento do colesterol e para o risco cardiovascular, mesmo sendo menos nocivos.


Veja outras opiniões, conte a sua também:


Veja também:


Matérias Relacionadas