Cresce o índice de alimentos contaminados por agrotóxicos no Brasil Vida Sim

A agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) realizou a análise de amostras coletadas em 26 estados brasileiros no período de um ano. Diante dos resultados obtidos, as conclusões – expostas em audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, demonstraram que cerca de um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos cidadãos brasileiros estão contaminados por agrotóxicos. No topo da lista está o pimentão (92%), logo em seguida o morango (63,4%), o pepino (57,4%), alface (54,2%) e a cenoura (49,6%).

A maior polêmica diz respeito aos efeitos danosos que os mesmos produzem sobre a saúde, ou seja, o vínculo existente entre o consumo dos agrotóxicos e o desenvolvimento de doenças graves. Na população, o seu efeito é bastante diversificado, existem aqueles que estão expostos diretamente aos pesticidas e aqueles que entram em contato através da ingestão de alimentos.

Basicamente, os efeitos se dividem em intoxicações agudas e crônicas. As primeiras ocorrem com o contato imediato, causando sintomas mais imediatos, como náuseas, tonturas, dores de barriga e diarreia. Já a crônica, é resultado da exposição gradual aos agrotóxicos causando doenças mais sérias como, por exemplo, depressão, má formações congênitas, câncer, mal de Parkinson, transtornos da imunidade, entre outros.

Outro problema em questão apontado por Luiz Claudio Meirelles, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é a ingestão contínua de pequenas quantias de agrotóxicos diariamente. Atualmente, incríveis 75% dos alimentos oferecidos a nós possuem resíduos de agrotóxicos.

Atualmente o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, e muitos dos herbicidas já proibidos em outros países ainda continuam a ser utilizados no país. É o caso do glifosato, largamente empregado no plantio de soja geneticamente modificada. O mais alarmante é que o mesmo já foi associado ao surgimento de câncer pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém é ainda o mais consumido no território brasileiro.

Márcia Sarpa, pesquisadora do Inca dá a sua opinião a respeito do assunto. Segundo ela, a Anvisa necessita reconsiderar o teor nocivo de determinados agrotóxicos. Além disso, aqueles já proibidos em outros países devem também ser impedidos no Brasil. O Inca ainda sugere o fim dos subsídios públicos aos venenos, e um maior controle da saúde dos trabalhadores e da população mediante a exposição aos agrotóxicos.

Existe ainda muito desrespeito em relação ao uso dos pesticidas proibidos, além da falta de fiscalização. Por isso é preciso ficar atento aos alimentos que são consumidos. É importante ressaltar que apenas lavar os alimentos não os livra dos agrotóxicos. Pode-se procurar por feiras agroecológicas, ou então fazer uma horta própria na casa. Além disso, a população deve se mobilizar e construir alternativas que visem trazer maiores benefícios à saúde.


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