Brasil: líder mundial de alimentos envenenados Vida Sim

O modelo de produção agrícola e a expansão dos cultivos transgênicos contribuiu decisivamente para que o Brasil garantisse no ano de 2008 o posto de país que mais consome agrotóxico no mundo, sendo responsável por cerca de 20% do mercado global do setor. E não para por aí, o Brasil é ainda considerado o país com uma das maiores áreas de plantação de transgênicos.

Isso não é algo para comemoração, o território brasileiro é constantemente inundado por venenos agrícolas e por esse tipo de alimentos, resultado da ação das grandes corporações que os utilizam, visando o extermínio de pragas nas safras e o aumento da lucratividade.

Os transgênicos são organismos geneticamente modificados. Entre os diversos riscos que eles podem causar, o principal está relacionado ao aumento do uso de agrotóxicos. Foi constatado um aumento de mais de 130% do uso de herbicidas e de 70% do uso de agrotóxicos nos últimos dez anos, porém, a expansão da área plantada foi bem menor que isso.

Notamos que a introdução desses na natureza, afeta diretamente a saúde doas agricultores e dos consumidores. Além disso, contribui para exposição de riscos a biodiversidade, como a perda ou alteração do patrimônio genético de nossas plantas e sementes, o aumento abusivo no uso de agroquímicos e efeitos sobre o solo e ao redor das lavouras. No final, as empresas lucram com esta situação, e nós juntamente com a natureza somos prejudicados.

Na safra de 2010/2011, por exemplo, o consumo de herbicidas, inseticidas e fungicidas, atingiu 936 mil toneladas e movimentou cerca de 8,5 bilhões de dólares no país. Os dados foram liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. Ainda segundo ele, em um mesmo período, o mercado de agrotóxicos brasileiro cresceu 190%, ritmo muito mais acentuado se comparado aos 93% do mercado mundial.

O uso exacerbado desses venenos contribui para a intoxicação crônica, ou seja, aquela que mata aos poucos, através de doenças neurológicas, hepáticas, renais, cânceres, entre outras, além de provocar o nascimento de crianças com má formação genética.

A expansão do agronegócio acarretou problemas, em especial pra o agricultor, pois ele tem contato direto com a lavoura, os alimentos, a água e o ar. Um bom exemplo que ilustra essa situação é o ocorrido no ano de 2006 na cidade de Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Uma nuvem tóxica se formou enquanto fazendeiros dessecavam a soja transgênica para a colheita utilizando o herbicida paraquat, o resultado foi uma chuva de agrotóxicos que atingiu a cidade, deixando crianças e idosos com intoxicação aguda, além da destruição de canteiros de plantas medicinais e chácaras de hortaliças. Ainda sobre esse caso, foram constatados resultados alarmantes, poços de água potáveis, água da chuva e o ar apresentaram altos índices de contaminação, assim como a urina de diversos cidadãos. As mães também foram atingidas, onde 100% das 62 mães continham o leite materno contaminado.

A comunidade científica não entrou em consenso em relação à segurança dos transgênicos para a saúde humana e o meio ambiente. Diante disso, o Greenpeace considera que a liberação dos mesmos afronta o princípio da precaução, passando uma imagem de descompromisso com o futuro, com a vida e com o meio ambiente. É de suma importância uma rotulação esclarecedora desses alimentos, para que o direito à informação seja garantido aos consumidores.

Qual seria então uma boa opção para a alimentação do cidadão brasileiro?

A resposta está no consumo de alimentos produzidos pela agricultura familiar e camponesa. Essa é uma excelente opção, uma vez que na maioria dos casos não há vínculos com fábricas de agrotóxicos. Além disso, esta prática gera novos empregos e renda, estimula a produção de alimentos e diversidades de culturas, produz aumento na qualidade com respeito às tradições alimentares e preservação a natureza, além de fixar o homem no campo, fortalecer as economias locais e regionais, podendo até culminar na queda dos preços.

É importante e urgente haver uma ruptura no sistema do agronegócio brasileiro, de modo que esta proporcione uma produção alimentar mais justa, sustentável, limpa e descentralizada. A busca pela base agroecológica de produção é essencial nos dias de hoje, incluindo os processos de extração e processamento e educação alimentar e nutricional.


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